CET: o número que revela o custo real do empréstimo (e que ninguém mostra)

Lupa sobre um documento representando análise de contrato

Dois bancos oferecem empréstimo: um anuncia 1,9% ao mês, o outro 2,1%. Parece óbvio qual é melhor. Só que o primeiro embute seguro, tarifa de cadastro e IOF financiado — e sai mais caro. A diferença entre a taxa de vitrine e o custo real tem nome: Custo Efetivo Total.

O que é o CET

O CET é o percentual que reúne tudo o que você paga em uma operação de crédito: juros, tarifas, tributos, seguros e custos de registro. Ele é expresso em taxa anual e a divulgação é obrigatória pelas instituições financeiras antes da contratação.

Em outras palavras: a taxa de juros diz quanto o banco cobra pelo dinheiro; o CET diz quanto a operação custa para você.

O que entra na conta

  • Juros da operação.
  • IOF — tributo sobre operações de crédito, muitas vezes financiado junto.
  • Tarifa de cadastro e outras tarifas administrativas.
  • Seguros vinculados, como o seguro prestamista.
  • Custos de registro e avaliação, quando existe garantia.
Gráfico representando a comparação entre propostas de crédito pelo custo total

Por que a taxa anunciada engana

Porque ela é o único número que a propaganda precisa mostrar. Um empréstimo com taxa menor e três tarifas embutidas pode ter CET bem acima de outro com taxa nominal maior e nenhuma tarifa. Comparar taxa com taxa é comparar metade da informação.

Isso vale para qualquer linha: pessoal, consignado, financiamento de veículo, crédito com garantia.

Como usar o CET na prática

  1. Peça o CET por escrito em cada proposta, antes de assinar. É obrigação da instituição informar.
  2. Padronize o prazo e o valor nas simulações — CETs de prazos diferentes não são comparáveis.
  3. Olhe também o valor total pago: parcela multiplicada pelo número de parcelas. Esse número costuma ser mais didático que qualquer percentual.
  4. Desconfie de seguro embutido apresentado como obrigatório. Muitas vezes é opcional e pesa bastante no CET.

A pegadinha do prazo longo

Parcela menor não significa empréstimo mais barato. Esticar o prazo reduz o valor mensal e aumenta o total pago. Um empréstimo de R$ 10 mil em 24 vezes e o mesmo valor em 48 vezes podem ter CET parecido e uma diferença de milhares de reais no total desembolsado.

Escolha o menor prazo cuja parcela caiba com folga — não a menor parcela possível.

Onde conferir o que você já contratou

O Banco Central mantém o Registrato, onde é possível consultar todas as operações de crédito em seu nome. É útil para descobrir contratos esquecidos, conferir taxas praticadas e identificar cobranças que você não reconhece.

Uma regra simples antes de assinar

Se o vendedor não souber informar o CET de imediato, ou desconversar quando você perguntar, considere isso um sinal. Instituição séria informa o número sem hesitar — porque é obrigada e porque não tem o que esconder.

Perguntas frequentes

O que é o CET de um empréstimo?

É o Custo Efetivo Total: o percentual que reúne juros, IOF, tarifas, seguros e custos de registro. Ele mostra quanto a operação custa de verdade, não apenas quanto o banco cobra pelo dinheiro.

O banco é obrigado a informar o CET?

Sim. A divulgação do Custo Efetivo Total antes da contratação é obrigatória para as instituições financeiras. Se o vendedor desconversa quando você pergunta, considere isso um sinal de alerta.

Parcela menor significa empréstimo mais barato?

Não. Esticar o prazo reduz a parcela e aumenta o total pago. Escolha o menor prazo cuja parcela caiba com folga, e compare sempre o valor total desembolsado.

Onde consulto os empréstimos que tenho em meu nome?

No Registrato, sistema do Banco Central que lista as operações de crédito registradas em seu CPF. É útil para achar contratos esquecidos e conferir as taxas praticadas.

Comparar crédito não é complicado: é só insistir em comparar a coisa certa. Uma pergunta — “qual é o CET?” — costuma valer mais que uma hora de pesquisa em site de comparação.

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