Financiamento imobiliário: tabela SAC ou Price, qual sai mais barato

Gráfico de barras em alta representando rendimento

Na hora de assinar o financiamento da casa, existe uma escolha que muda dezenas de milhares de reais no total pago e que quase ninguém discute com calma: o sistema de amortização. As duas opções mais comuns são SAC e Price.

O que é amortização, na prática

Toda parcela de financiamento tem duas partes: uma amortiza a dívida (reduz o saldo devedor) e outra paga os juros do período. O que muda entre SAC e Price é como essas duas partes se comportam ao longo dos anos.

Tabela SAC: parcelas decrescentes

Na SAC, a parte que amortiza é constante. Como o saldo devedor cai de forma linear, os juros diminuem mês a mês — e a parcela também.

  • Parcela inicial mais alta.
  • Parcela cai um pouco todo mês.
  • Total de juros menor ao fim do contrato.
  • Saldo devedor cai mais rápido.

É o sistema padrão na maioria dos financiamentos imobiliários brasileiros.

Tabela Price: parcelas fixas

Na Price, a parcela é constante. No começo, a maior parte dela é juros e quase nada amortiza; com o tempo a proporção se inverte.

  • Parcela inicial menor.
  • Valor fixo, o que facilita o planejamento.
  • Total de juros maior.
  • Saldo devedor cai devagar nos primeiros anos.
Casa com chave representando o financiamento do imóvel próprio

Comparando os dois lado a lado

Para um mesmo valor, prazo e taxa, a diferença aparece assim: a SAC exige um esforço maior no início e devolve isso em parcelas cada vez menores e em menos juros no total. A Price alivia o começo e cobra por esse alívio ao longo do contrato.

Se o seu orçamento aguenta a parcela inicial da SAC, ela costuma ser a escolha financeiramente melhor. Se a parcela inicial da SAC não cabe, a Price viabiliza a compra — e viabilizar a compra também tem valor.

O detalhe que quase ninguém olha: a correção

A parcela “fixa” da Price é fixa apenas em termos nominais dentro do sistema de cálculo. Contratos imobiliários costumam ter correção do saldo devedor por um índice, o que faz a parcela variar mesmo na Price. Confirme no contrato qual indexador é usado e simule cenários — esse ponto muda bastante a conta de 30 anos.

Amortização extra: onde está o maior ganho

Independentemente do sistema escolhido, o movimento que mais economiza juros é amortizar o saldo devedor sempre que sobrar dinheiro. E, ao amortizar, você escolhe entre:

  • Reduzir o prazo: economiza mais juros no total.
  • Reduzir a parcela: alivia o orçamento mensal.

Nos primeiros anos, quando os juros dominam a parcela, cada amortização extra tem efeito desproporcional. É o momento em que R$ 5 mil abatidos podem valer R$ 20 mil ao longo do contrato.

Antes de escolher, compare o CET

Sistema de amortização é só uma variável. Taxa, seguros obrigatórios e tarifas fazem tanta diferença quanto — e só aparecem juntas no Custo Efetivo Total. Peça o CET de cada banco, com o mesmo valor e prazo, antes de decidir.

A conclusão prática

Perguntas frequentes

SAC ou Price: qual paga menos juros no total?

A SAC. Como a amortização é constante, o saldo devedor cai mais rápido e os juros incidem sobre um valor menor a cada mês. A contrapartida é uma parcela inicial mais alta.

Na Price a parcela é realmente fixa?

É fixa dentro do sistema de cálculo, mas contratos imobiliários costumam corrigir o saldo devedor por um índice, o que faz o valor variar. Confirme no contrato qual indexador é usado.

Vale mais a pena reduzir o prazo ou a parcela ao amortizar?

Reduzir o prazo economiza mais juros no total. Reduzir a parcela alivia o orçamento mensal. A escolha depende de qual pressão você quer resolver primeiro.

Quando a amortização extra rende mais?

Nos primeiros anos, quando a maior parte da parcela é juros. Nesse período, cada valor abatido do saldo devedor elimina uma quantidade desproporcional de juros futuros.

Se a parcela inicial da SAC cabe com folga no orçamento, escolha SAC: você paga menos juros e vê o saldo cair mais rápido. Se ela aperta, a Price resolve — mas planeje amortizações extras desde o primeiro ano para compensar o custo maior. E, em qualquer cenário, mantenha uma reserva: financiamento longo com orçamento no limite é receita para problema.

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