A propaganda diz “taxa a partir de 0,74%”. A fatura do fim do mês mostra outra coisa: 3% aqui, 6% ali, um desconto que você não lembra de ter aceitado. A diferença entre o anúncio e o extrato é onde a maquininha ganha dinheiro.
Para quem é MEI ou autônomo, a maquininha de cartão é um custo que cresce com o faturamento e não aparece em boleto nenhum. Em R$ 8.000 por mês, a escolha entre duas máquinas pode significar de R$ 30 a R$ 140 de diferença mensal, como a conta deste artigo mostra.
Aqui você encontra como a cobrança funciona, por que o prazo de recebimento muda a taxa, a tabela com as taxas publicadas em setembro de 2026, o exemplo completo e os critérios para escolher a maquininha de cartão para MEI que cabe no seu negócio.

Como a maquininha cobra: taxa por transação e prazo de recebimento
Na maioria dos planos para pequeno vendedor não há mensalidade: a empresa desconta um percentual de cada venda, que depende do tipo de pagamento, da bandeira e do prazo em que você recebe.
Débito é o mais barato: o dinheiro já está na conta do cliente e não há risco de crédito. Crédito à vista custa mais, porque o banco do cliente só repassa o valor cerca de 30 dias depois, prazo padrão do mercado brasileiro. Crédito parcelado custa ainda mais e sobe a cada parcela: em 3x, a última só chega em 90 dias. Visa e Mastercard costumam ter a menor taxa; Elo, Amex e Hipercard ficam acima.
Por que receber em 1 dia custa mais do que receber em 30
Se o padrão do crédito é 30 dias e a maquininha deposita no dia seguinte, alguém financiou esses 29 dias. Esse alguém é você, pela antecipação de recebíveis embutida na taxa. Muitas empresas anunciam uma taxa única “já com antecipação”; é transparente, mas não é grátis: a diferença entre receber na hora e em 30 dias é o juro do adiantamento.
A grade de taxas e tarifas do PagBank ilustra isso: crédito à vista Visa/Mastercard a 4,99% recebendo na hora, 3,99% em 14 dias e 3,19% em 30 dias. Receber R$ 4.000 na hora em vez de em 30 dias custa R$ 72 a mais no mês, ou 1,8% do valor. Com a Selic em 13,75% ao ano (cerca de 1,08% ao mês), o adiantamento custa quase 70% mais que a taxa básica. Só compensa se, sem ele, você pagaria cheque especial ou rotativo.
Comprar, alugar ou usar o celular: modelos e custo do aparelho
Há três formatos. A maquininha comprada (chip e wi-fi, com ou sem impressora) custa de R$ 15 a R$ 240 nas ofertas de setembro de 2026: Minizinha NFC 2 do PagBank por R$ 15 à vista, SumUp Top por 12 vezes de R$ 3,90, InfinitePay Smart por R$ 199, Cielo em comodato por 12 vezes de R$ 19,90.
A maquininha alugada é o modelo das grandes adquirentes: a Cielo cobra R$ 99,90 por mês no plano de aluguel, isento a partir de R$ 15 mil de faturamento mensal, em troca de taxas menores. Para um MEI que fatura R$ 8.000, o aluguel sozinho consome 1,25% do faturamento e costuma anular a vantagem da taxa.
A maquininha no celular (InfiniteTap, Tap On do PagBank, TapTon, SumUp Tap) transforma o aparelho em terminal por aproximação: o cliente encosta o cartão no seu celular. Não há aparelho para comprar, mas exige celular com NFC e não aceita chip inserido nem tarja. Para quem atende em domicílio ou vende pouco, resolve; para balcão com fila, a maquininha dedicada é mais rápida.
Taxas de maquininha em setembro de 2026: tabela comparativa
As taxas abaixo foram lidas nos sites oficiais em 21 de setembro de 2026, para Visa e Mastercard, após o período promocional. São taxas para MEI e pequeno vendedor em setembro de 2026, sujeitas a alteração; confirme na página de cada empresa antes de contratar. Mercado Pago, Ton e Stone ficaram de fora porque não publicam a tabela completa de forma aberta (Ton e Stone anunciam débito “a partir de 0,74%”, com taxa negociada por cliente).
| Empresa / plano | Débito | Crédito à vista | Crédito 12x | Pix | Recebimento |
|---|---|---|---|---|---|
| InfinitePay (Smart e InfiniteTap, até R$ 20 mil/mês) | 1,37% | 3,15% | 12,40% (3x: 6,12%) | 0% | 1 dia útil ou na hora |
| PagBank Super Max (após promoção) | 1,44% | 3,49% | 13,78% (6x: 10,88%) | 0% nos primeiros 30 dias; depois, não informado | não informado na página consultada |
| SumUp (até R$ 20 mil/mês) | 0,99% | 3,49% | 9,90% | 0% | mesmo dia |
| Cielo Comodato (aparelho R$ 238,80) | 1,90% | 4,30% | 19,00% (6x: 11,30%) | 0,99% | até 1 dia, sujeito a análise |
| Cielo Aluguel (R$ 99,90/mês) | 1,19% | 3,45% | 14,79% (6x: 11,19%) | 0% por 30 dias, depois 0,99% | até 1 dia, sujeito a análise |
As tabelas completas estão nas páginas de taxas da InfinitePay, do PagBank e da Cielo. Dois padrões se repetem: a taxa cai conforme o faturamento sobe, e todas exibem primeiro as taxas promocionais, válidas por 30 dias ou até um teto de vendas.
Exemplo: quanto custa receber R$ 8.000 por mês em duas maquininhas
Um MEI fatura R$ 8.000 por mês na maquininha: 30% no débito (R$ 2.400), 50% no crédito à vista (R$ 4.000) e 20% no crédito em 3x (R$ 1.600). A conta compara a InfinitePay (taxa única com antecipação) e a Cielo no plano Comodato.
| Modalidade | Valor | InfinitePay | Cielo Comodato |
|---|---|---|---|
| Débito | R$ 2.400 | 1,37% = R$ 32,88 | 1,90% = R$ 45,60 |
| Crédito à vista | R$ 4.000 | 3,15% = R$ 126,00 | 4,30% = R$ 172,00 |
| Crédito 3x | R$ 1.600 | 6,12% = R$ 97,92 | entre 4,30% e 11,30% = R$ 68,80 a R$ 180,80 |
| Custo mensal | R$ 8.000 | R$ 256,80 (3,2%) | R$ 286,40 a R$ 398,40 (3,6% a 5,0%) |
A Cielo publica só as taxas de 1x, 6x e 12x; por isso a linha do 3x aparece como intervalo. Mesmo no melhor caso, a diferença é de R$ 30 por mês; no pior, R$ 140. Em um ano, de R$ 355 a R$ 1.700.
O parcelado é o vilão silencioso: 20% das vendas e 38% do custo na InfinitePay. Se metade desses clientes pagasse à vista, o custo cairia cerca de R$ 24 por mês.
O efeito da antecipação automática
Nas taxas com antecipação incluída, você recebe em 1 dia útil e paga por isso em cada venda, sem escolher. Em planos que separam as duas coisas, dá para deixar o crédito cair em 30 dias e antecipar só quando precisar. Se o caixa aguenta o prazo, a segunda opção é mais barata; se não, a taxa única é previsível.
Pix, conta digital e quando a maquininha nem é necessária
Quase todas as maquininhas vêm com conta digital vinculada, onde o dinheiro cai. O saldo parado ali costuma render pouco ou nada; transfira o excedente para uma aplicação com liquidez.
Pix na maquininha custa zero na InfinitePay e na SumUp, 0,99% na Cielo e 0% nos primeiros 30 dias no PagBank. O Pix recebido direto na conta PJ pode ter tarifa em alguns bancos; na conta pessoal é gratuito, mas mistura o dinheiro do negócio com o seu.
O Pix substitui a maquininha quando o ticket é baixo, o cliente está na sua frente e não pede parcelamento: um QR code impresso resolve e custa zero. A maquininha continua necessária quando o cliente quer parcelar, quando há fila (aproximar o cartão é mais rápido que abrir o app do banco) e quando você vende para quem não confia em pagar antes.
MEI: nota fiscal, conciliação e a taxa dentro do preço
A maquininha não emite nota fiscal; só registra o pagamento. O MEI é dispensado de emitir nota para consumidor final, salvo se ele pedir, e obrigado a emitir quando vende para empresa. As regras estão em MEI para iniciantes: como abrir, vantagens e custos.
Conciliação é conferir, toda semana, se o que entrou na conta bate com o que a maquininha registrou, descontadas as taxas. Sem isso, uma venda cancelada ou uma antecipação não pedida passa despercebida.
E a taxa precisa entrar no preço. Com custo unitário de R$ 24,70 e taxa média de 3,5%, a fórmula preço = custo ÷ (1 − taxas − margem) mostra o efeito: sem a taxa, 20% de margem dariam R$ 30,88; com ela, R$ 32,29. Quem não faz essa conta paga a maquininha com o lucro. O cálculo completo está em como precificar um produto ou serviço.
Como escolher a maquininha: critérios e armadilhas
Comece pelo seu mix de vendas, não pela propaganda: anote um mês de recebimentos por modalidade e aplique as taxas de cada empresa. Depois, avalie:
- Volume e ticket. Faturamento acima de R$ 20 mil por mês abre faixas de taxa menores; negocie.
- Parcelado. Se mais de um quarto das vendas é parcelado, a taxa de 3x a 6x pesa mais que a de débito. Compare essa coluna primeiro.
- Prazo de recebimento. Caixa folgado aceita 30 dias e paga menos; caixa apertado prefere taxa única com antecipação.
- Atendimento. Máquina parada em dia de feira é venda perdida; teste o suporte antes de depender dele.
As armadilhas se repetem. A taxa promocional vale 30 dias ou até um teto de vendas e depois sobe; peça a tabela cheia por escrito. A antecipação compulsória aparece como “receba na hora” e cobra em toda venda, precise você ou não. A fidelidade com multa ou comodato prende você a uma taxa ruim. E a oferta de crédito no app, descontada das vendas, costuma custar mais do que um empréstimo para CNPJ comparado com calma.
Taxa é custo variável e acompanha o faturamento. Inclua-a no primeiro orçamento, junto com os passos de empreendedorismo para iniciantes, e revise a escolha da maquininha a cada seis meses, quando o volume mudar.
Perguntas frequentes
Qual é a melhor maquininha de cartão para MEI?
A que custa menos no seu mix de vendas, não a de menor taxa anunciada. Para quem recebe muito no débito e no Pix, SumUp e InfinitePay publicam débito abaixo de 1,4% e Pix a zero; para quem parcela muito, a coluna do crédito parcelado decide. Faça a conta com um mês real de vendas.
Quanto custa a taxa da maquininha em 2026?
Nas tabelas públicas de setembro de 2026 para pequeno vendedor, o débito vai de 0,99% a 1,90%, o crédito à vista de 3,15% a 4,30% e o 12x de 9,90% a 19,00%, para Visa e Mastercard, após o período promocional. Os valores mudam com o faturamento e a negociação.
Maquininha no celular vale a pena?
Para quem vende pouco, atende em domicílio ou está começando, sim: não há aparelho para comprar e as taxas são próximas às da maquininha. As limitações: exige celular com NFC, aceita só aproximação e depende da bateria e do sinal do telefone.
Pix na maquininha tem taxa?
Depende da empresa: em setembro de 2026, InfinitePay e SumUp publicam Pix a 0%, a Cielo cobra 0,99% e o PagBank oferece 0% nos primeiros 30 dias. Um QR code Pix da sua própria conta costuma ser gratuito para pessoa física; na conta PJ, confira a tarifa do banco.
O que levar deste artigo
A maquininha certa é a que custa menos no seu mix de débito, crédito e parcelado, com prazo de recebimento que o seu caixa aguenta. Ignore a taxa de propaganda, exija a tabela cheia, embuta o custo no preço e concilie as vendas toda semana. Quem organiza o caixa recebe em 30 dias e paga menos; o caminho está em planejamento financeiro para autônomos.

