Conta digital para menor de idade: como funciona e onde abrir

Adolescente sentado no sofá olhando o celular

Seu filho de 11 anos pede Pix para pagar o lanche, o de 15 quer comprar skin no jogo e você continua passando dinheiro em espécie ou emprestando o seu cartão. Em 2026, isso já não é necessário: a maioria dos grandes bancos e fintechs oferece conta digital para menor de idade, aberta e supervisionada pelo responsável.

A dúvida dos pais costuma ser tripla: a partir de que idade cada banco aceita, o que o menor pode ou não fazer, e se colocar uma criança dentro de um aplicativo bancário ajuda ou atrapalha a educação financeira.

Este artigo responde às três perguntas, com uma tabela dos bancos cujas condições conferimos nos sites oficiais em setembro de 2026, os riscos reais e um roteiro para transformar a conta em ferramenta de aprendizado.

Adolescente sentado no sofá olhando o celular
Foto: Lesli Whitecotton / Unsplash

Como funciona a conta digital para menor de idade

Pelo Código Civil, menores de 16 anos são absolutamente incapazes para os atos da vida civil e os de 16 a 18 são relativamente incapazes. Na prática, nenhum menor abre conta sozinho: o pai, a mãe ou o tutor abre, autoriza e responde pela conta até os 18 anos.

A partir daí, o modelo é parecido em todos os bancos:

  • O responsável, que já precisa ser cliente do banco, inicia a abertura pelo próprio aplicativo e informa CPF e documento do filho.
  • O menor recebe um aplicativo próprio e um cartão de débito no próprio nome, com pagamento por aproximação.
  • A conta faz Pix, transferências e recarga de celular. Não tem cheque especial nem empréstimo; os gastos ficam limitados ao saldo.
  • O responsável vê saldo e extrato, recebe notificação de cada movimentação e, em vários bancos, define limites de transferência.

Aos 18 anos, a conta é convertida em conta comum ou encerrada, conforme a regra do banco. Confirme esse ponto antes de abrir.

A partir de que idade cada banco aceita

A idade mínima é a maior diferença entre as instituições. A tabela reúne as condições publicadas nos sites oficiais em setembro de 2026; regras mudam, então confirme no aplicativo antes de abrir.

Banco (produto) Idade Custo Cartão Pix Rendimento e controles
Nubank (Conta para menores) 6 a 17 anos Gratuita Débito (função crédito a partir de 16) Sim Caixinhas a 100% do CDI; controle parental; mesada programada
Inter (Conta Kids / Inter You) 0 a 17 (Kids); 13 a 17 (You) Gratuita Débito com nome do filho Sim Metas a partir de R$ 1; acompanhamento pelo app do responsável
C6 Bank (C6 Yellow) Sem idade mínima; até 17 anos e 6 meses Gratuita Débito colorido Sim Metas em CDB a 101,5% do CDI; notificações em tempo real; mesada programada
Banco do Brasil (BB Cash) 0 a 17; abertura digital de 8 a 17 Gratuita Débito e “crébito” (limitado ao saldo) Sim Mesada programada; extrato e saldo no app dos pais
Santander (Conta para Menores) 0 a 17; app próprio a partir de 8 Gratuita Débito Sim Saldo rende (percentual não divulgado); notificações; limites de transferência
Bradesco (nextJoy) 0 a 17 Gratuita Débito Não informado Sem rendimento por enquanto; mesada programada; notificações
Mercado Pago 10 a 17 Gratuita Débito Visa Sim (QR e Pix) Rendimento para menores: confirmar no app
PicPay Menores de 18; responsável cria ou autoriza Gratuita Débito Sim Sem rendimento para menores desde 1º/06/2026; painel PicPay Família

Dois casos ficaram fora da tabela por falta de página oficial detalhada. Na Caixa, a abertura para menores é feita na agência pelo responsável: até 15 anos só ele movimenta; de 16 a 17, o jovem faz Pix e saques com consentimento, segundo a Agência Gov. No Itaú, a página que localizamos é a da Conta Universitária, que aceita menor de 18 com autorização do responsável, mas exige matrícula no ensino superior.

O rendimento é o ponto mais instável: o PicPay deixou de render o saldo de menores em 1º de junho de 2026, e em outros bancos o rendimento fica nas caixinhas, não no saldo da conta.

Documentos, tarifas e o que os pais controlam

Em geral, o banco pede CPF e documento de identidade do menor (RG ou CIN; alguns aceitam certidão de nascimento), documento e selfie do responsável e, para tutores, o termo de guarda. O CPF do menor é emitido de graça no site da Receita Federal.

Todas as contas da tabela são gratuitas na manutenção. O que pode ter custo é o saque acima da franquia e a segunda via do cartão; consulte a tabela de tarifas de cada banco.

Os controles do responsável variam, mas os mais úteis são:

  • Notificação em tempo real de cada compra, Pix ou saque.
  • Limite de transferência diária, com aumento sujeito a aprovação.
  • Bloqueio do cartão pelo app dos pais em caso de perda.
  • Visualização do extrato e das caixinhas sem pedir a senha do filho.

Detalhe importante: a conta é do menor, não sua. Não a use como reserva da família. Além de confundir o aprendizado, o saldo aparece em nome do dependente na declaração de Imposto de Renda.

Riscos: golpes em jogos, compras no app e Pix para desconhecidos

Conta digital para menor de 18 tem três riscos que não estão no banco, e sim no uso.

O primeiro são as compras dentro de jogos e aplicativos. Skins, moedas virtuais e assinaturas cobram valores pequenos, em sequência, até drenar o saldo. Combine que compras in-app saem da mesada e ative a notificação de cada transação.

O segundo são os golpes em redes sociais e jogos: promessa de item raro, “sorteio” que exige Pix de confirmação, perfil falso de amigo pedindo transferência. A regra: Pix só para quem você conhece pessoalmente, e nunca para “confirmar” nada.

O terceiro é o mais grave: adolescentes aliciados para emprestar a conta a terceiros, recebendo e repassando valores em troca de comissão. É a chamada conta laranja, usada para lavar dinheiro de golpes. Explique que receber dinheiro de estranhos e repassar é crime, e que a conta pode ser bloqueada.

Os controles do banco ajudam, mas a conversa periódica sobre o extrato é o que protege. Para aprofundar esse diálogo, veja como preparar os adolescentes para lidar com dinheiro.

Como usar a conta para ensinar sobre dinheiro

A diferença entre cartão de mesada e ferramenta de educação está em três hábitos.

Mesada por transferência programada

Cadastre a mesada como transferência automática, no mesmo dia todo mês. Isso tira a negociação semanal da mesa e cria a previsibilidade que permite ao filho planejar. Se ainda não definiu o valor, veja quanto dar de mesada em cada idade.

Caixinhas com nome e prazo

Quase todos os aplicativos permitem separar o dinheiro em metas. Use isso como os três potes físicos: o saldo da conta é o “gastar”, uma caixinha “guardar” tem objetivo definido (o tênis de R$ 300 em 6 meses) e outra pode ser a “doar”. O filho vê a barra de progresso e faz a conta: 300 ÷ 6 = R$ 50 por mês.

O extrato como aula

Uma vez por mês, sentem-se juntos com o extrato aberto. Três perguntas bastam: para onde foi a maior parte do dinheiro, o que você compraria de novo e o que não compraria. O extrato não mente nem julga, e a conversa fica menos tensa.

Essa rotina, repetida, é o que constrói uma cultura de economia dentro de casa, em vez de regras impostas.

Rendimento do saldo: a primeira lição sobre juros

A caixinha que rende é a melhor aula de juros que existe, porque o número aparece no extrato sem ninguém ter depositado.

Com a Selic em 13,75% ao ano (decisão do Copom de 16 de setembro de 2026), o CDI fica em torno de 13,65% ao ano, cerca de 1,07% ao mês. Uma caixinha a 100% do CDI acompanha esse ritmo.

Exemplo: um adolescente guarda R$ 30 por mês durante 12 meses. Ele deposita R$ 360 e termina o ano com cerca de R$ 382, antes do Imposto de Renda. Os R$ 22 de diferença são os juros, e a pergunta que vale a aula é: “de onde veio esse dinheiro?”.

Aproveite para explicar duas coisas. Primeiro, que caixinhas em CDB ou RDB pagam Imposto de Renda sobre o rendimento pela tabela regressiva (22,5% até 180 dias, caindo a 15% acima de 720 dias), por isso o líquido é menor. Segundo, que o mesmo mecanismo que faz a caixinha crescer faz uma dívida no cartão explodir, como mostra o artigo sobre juros compostos a favor e contra você.

Antes de prometer ao filho que “o dinheiro cresce sozinho”, confira no app se a caixinha está ativa para a conta dele; essa regra já mudou mais de uma vez.

Como decidir qual conta abrir

  1. Idade do filho. Abaixo de 6 anos, as opções são Inter Kids, C6 Yellow, BB Cash, Santander e nextJoy. A partir de 6, entra o Nubank; a partir de 10, o Mercado Pago.
  2. Banco que você já usa. Em quase todos os casos, o responsável precisa ser cliente; abrir conta nova só para o filho é mais um app para administrar.
  3. Controles que você quer. Se a prioridade é limite de transferência, compare Santander e C6; se é mesada automática, quase todos atendem.
  4. Rendimento das metas. Para adolescentes que já guardam dinheiro, uma caixinha a 100% do CDI ou mais faz diferença. Para crianças pequenas, ver a barra de progresso importa mais.
  5. O que acontece aos 18. Pergunte se a conta é migrada automaticamente e se as caixinhas são preservadas.

Para guardar valores maiores por muitos anos, a conta do menor não é o melhor veículo; veja como investir para os filhos com opções de prazo longo.

Perguntas frequentes

Menor de idade pode abrir conta sozinho?

Não. Pelo Código Civil, menores de 18 anos precisam de representação ou assistência dos pais ou tutores. Em todos os bancos, o responsável inicia a abertura e responde por ela.

Qual banco abre conta para criança de 5 anos?

Entre os que verificamos em setembro de 2026, aceitam desde o nascimento: Inter (Conta Kids), C6 Bank (C6 Yellow), Banco do Brasil (BB Cash), Santander e Bradesco (nextJoy). No BB e no Santander, a abertura totalmente digital e o app próprio da criança começam aos 8 anos.

Menor de idade pode fazer Pix?

Sim, nas contas em que o banco libera a função, caso de quase todas as da tabela. O responsável costuma definir limites diários e é notificado a cada transferência.

A conta para menor tem cartão de crédito?

Na regra geral, não: o cartão é de débito e os gastos ficam limitados ao saldo. As exceções são a função crédito do Nubank a partir dos 16 anos, o “crébito” do BB (limitado ao saldo) e o cartão adicional do Santander, contratado pelo responsável. Empréstimo e cheque especial não existem nessas contas.

O dinheiro na conta do meu filho rende?

Depende do banco. Em geral, o saldo parado não rende; o rendimento fica nas caixinhas ou metas (100% do CDI no Nubank, 101,5% do CDI no C6, segundo os sites). No PicPay, menores deixaram de ter rendimento em junho de 2026.

Uma conta digital para menor de idade não ensina nada por si só. O que ensina é a rotina em volta dela: mesada programada, metas com nome, extrato revisado junto e regras claras sobre Pix e compras online. Com isso, o aplicativo vira o laboratório mais barato que existe para errar com pouco dinheiro.

Compartilhar